A Eli Lilly and Company, ou simplesmente Lilly, como é mais conhecida esta
indústria farmacêutica de origem norte-americana, conta com 135 anos de
existência. A companhia, com atuação global e uma das maiores verbas aplicadas
em pesquisa e desenvolvimento, é hoje uma das maiores empresas de biotecnologia
do mundo e dona de marcas que viraram sinônimo de alívio para
patologias milenares, como Prozac, Zyprexa e Cialis, e prefere se
caracterizar como uma empresa que vende inovação em saúde física e
mental, por meio de medicamentos que são normalmente os pioneiros e mais
avançados nas suas classes terapêuticas.
Fundada em maio de 1876, pelo Coronel Eli Lilly, em Indianápolis, capital do
estado de Indiana, nos Estados Unidos, a Lilly está presente hoje em 125 países
e conta com cerca de 38.000 funcionários.
No Brasil, a empresa participa da construção do mercado farmacêutico há 67 anos,
e é uma das mais importantes indústrias do país, uma das líderes nas áreas de
saúde mental, oncologia e saúde da mulher.
Um pouco de história
Químico farmacêutico e veterano da guerra civil norte-americana, o Coronel Lilly,
nos idos de 1870, vivia frustrado com os medicamentos de sua época, mal
preparados e, muitas vezes, ineficazes. Para mudar esse quadro, assumiu
compromissos - consigo próprio e com a sociedade - de fundar uma empresa que
fabricasse produtos farmacêuticos da mais alta qualidade e que desenvolvesse
somente medicamentos para serem prescritos por recomendação médica e não pela
eloqüência de vendedores ambulantes, como era comum em seu tempo. Para isso,
sempre fez questão que os produtos farmacêuticos Lilly tivessem como base a
melhor ciência do momento.
Tendo em mente a vontade de inovar, em 1886 o Coronel Lilly contratou um jovem
químico para a função de “cientista em tempo integral”, grande novidade para
a época, que tinha por função básica estudar e aperfeiçoar as mais novas
técnicas de avaliação de qualidade. Deste tempo remonta a tradição da Lilly de
dedicação à qualidade dos produtos de seu portfólio e à descoberta e
desenvolvimento de novos e melhores produtos farmacêuticos.
Em 1900, a assinatura pessoal do Coronel Lilly foi adotada como logotipo e marca
registrada da empresa. E, ao longo de todo o século XX, a Lilly desenvolveu
substâncias fundamentais para a medicina.
De 1920 a 1970 – a Lilly participa dos lançamentos que marcaram a história da
medicina:
Lançou a primeira insulina comercial para diabéticos (1923); o extrato de fígado
para anêmicos (1928); a penicilina produzida em larga escala (1943); participou
da descoberta e fabricação da primeira vacina contra poliomielite (1955);
descobriu, desenvolveu e fabricou o primeiro antibiótico do grupo das
eritromicinas (1952) e do grupo das cefalosporinas (1964); de drogas originárias
de uma planta do gênero Vinca para o tratamento de câncer (1961); descobriu
destacados antidepressivos; produziu em larga escala antibióticos orais e
injetáveis como o Keflex, o Kefazol e o Ceclor; lançou o Dobutrex, medicamento
cardiovascular revolucionário.
Dos anos 80 ao século XXI – inovação em todos os sentidos:
A Lilly realizou neste período trabalhos com engenharia genética, que resultaram
na produção da pioneira insulina humana Humulin (1983) e do hormônio de
crescimento Humatrope (1987); do primeiro análogo de insulina Humalog (1996); da
primeira droga de uma nova classe de antidepressivos inibidores seletivos da
recaptação de serotonina, o cloridrato de fluoxetina Prozac (aprovado pelo FDA
em 1987); do Gemzar para o tratamento de vários tipos de câncer (1995); do
medicamento cardiovascular que previne formação de coágulos depois de
determinados procedimentos, o ReoPro (1995); do Zyprexa, o revolucionário
antipsicótico olanzapina, que possui perfil único de segurança e eficácia
(1996); do primeiro modulador seletivo de estrógeno voltado para a prevenção e
tratamento da osteoporose da mulher na pós-menopausa, o cloridrato de raloxifeno
Evista (1998); da primeira droga específica para tratar a sepse severa, o Xigris
(2001); do Cialis para disfunção erétil (2003); do primeiro medicamento
estimulador da formação óssea, Fortéo (2003); do primeiro quimioterápico para o
tratamento do mesotelioma pleural maligno, Alimta (2004); do Cymbalta (2004),
para o transtorno depressivo maior, dor neuropática periférica diabética,
transtorno de ansiedade generalizada e fibromialgia; e do Byetta * (2005), para
o diabetes tipo 2.
* Lançado no Brasil em março de 2008
Apenas para se ter uma idéia do valor de todas estas descobertas, tão importantes
para a ciência, o norte-americano Tufts Center for the Study of Drug Development
reza que a elaboração de um novo medicamento exige investimentos entre US$ 800
milhões e US$ 1,2 bilhão, e demanda entre 10 e 15 anos de trabalho de pesquisa
até a aprovação do produto final para comercialização. O que faz com que, de
cada de 25 a 50 mil compostos investigados, apenas um resulte em uma nova droga
a ser lançada no mercado.
67 anos de Brasil: a cada dia, uma história de sucesso
Os produtos com a marca Lilly chegaram ao Brasil em 1930, mas a
instalação propriamente dita da empresa no Rio de Janeiro foi feita em 1944,
sob a denominação Eli Lilly and Co. of Brazil, o que tornou os medicamentos da
marca mais acessíveis à população brasileira. Em 1953, as operações foram
transferidas para São Paulo e, em 1962, seu nome passou para Eli Lilly do
Brasil. Dois anos depois, foi criada a Elanco, hoje uma divisão voltada à saúde
animal.
Atualmente, a Lilly conta com matriz, fábrica e escritório de vendas na capital
paulista. Em 2003, a fábrica ganhou o certificado ISO 14.001, que tem sido
mantido anualmente. Cerca de 69% de seus funcionários efetivos têm
nível universitário e 21,5% contam com pós graduação, 2% contam com mestrado ou
doutorado, índices que vêm crescendo no decorrer dos anos. A Lilly foi a
primeira indústria farmacêutica do país, no final de 1986, a contratar mulheres
para a sua equipe de representantes.
É importante salientar que a Eli Lilly só trabalha com medicamentos éticos, isto
é, que demandem prescrição médica. Entre os produtos da empresa mais conhecidos
no mercado brasileiro, destacam-se o Zyprexa (antipsicótico); o Cialis
(disfunção erétil); o medicamento best in class (melhor da classe),
Evista (osteoporose); o Fortéo (osteoporose severa); o Prozac
e o Cymbalta (antidepressivos); o Gemzar e o Alimta
(oncológicos); o Humulin (a insulina mais vendida no mundo); a
Humalog (insulina de ação rápida), o ReoPro (angioplastia), o
Xigris (sepse), que é tido como um medicamento first in class
(primeiro na classe), e o Byetta (diabetes tipo 2), primeiro de uma nova
classe de medicamentos.
A Lilly do Brasil é uma das mais importantes indústrias farmacêuticas do país,
sendo uma das líderes nas áreas de saúde mental, oncologia, diabetes e saúde da
mulher. Somente a modernização da sua fábrica demandou, entre 2002 e 2009,
investimentos superiores a R$ 42 milhões. Já os investimentos locais em pesquisa
vêm crescendo ano a ano, desde a introdução da Lei de Patentes em 1996.
O pipeline (produtos em desenvolvimento) da Lilly, uma das maiores
empresas de biotecnologia no mundo, é considerado atualmente, pelos analistas de
Wall Street, um dos melhores da indústria farmacêutica mundial. Desde 2002,
foram lançadas seis drogas inovadoras, como o quimioterápico Alimta, o
antidepressivo Cymbalta e o Byetta para diabetes tipo 2.